quinta-feira, 4 de março de 2010

Texto de Raissa Magalhães


Com um sorvete na mão em uma tarde de sábado, lá estava eu, sentada no banco do shopping quando me deparei observando as pessoas que passavam. Inúmeras pessoas conversando ao mesmo tempo, rindo, felizes, apressados: Amigos, famílias, namorados.
Pessoas entrando e saindo de lojas, reclamando de preço ou achando boa as ofertas. E foi meio dessa correria, de inúmeras pessoas que o vi. Andando lentamente ou talvez estivesse parado. Não se importava com nada ao seu redor, não olhava para lojas nem para as pessoas, apenas para o chão onde pisava. Andava com um olhar vago, com os pensamentos soltos.
Parecia estar longe, com a cabeça em outro mundo, sem expressar sentimentos, frustrações, nada demonstrava o que sentia no momento. Pessoas passavam constantemente, mas ninguém notava sua presença, era como se não estivesse ali. E assim ele continuava com passos curtos, andando sem direção. Tentei imaginar o que acontecera para ele ter ficado assim, tentei entender o que se passava na sua cabeça, tentei entendê-lo. Simplesmente não olhava para canto nenhum. Era como se no mundo dele o tempo não passasse ou nada ao seu redor existisse.
E assim ele prosseguiu, subiu a escada rolante e desapareceu da minha vista. Nunca mais o vi, mas nunca esquecerei aquele olhar vago, indiferente, aqueles curtos e vagarosos passos e aquela face obscura, tão bela e ao mesmo tempo singela.
O que será que ele pensava...

1 comentários:

Anônimo disse...

Muito bom o texto principalmente a descrição, foi o suficiente sem exageros mas sem deixar vago demais, adorei!

Marília Ramos, 2°A

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