quinta-feira, 11 de março de 2010

Texto de Raíssa Magalhães

Ele estava junto à parede dos fundos de um supermercado. Virei à esquina e me deparei com ele. Fazia sol naquela manhã, pois muitos têm sido os dias de sol. Mas, como era ainda bem cedo e a cidade mal despertava, o sol esbranquiçado e preguiçoso lançava sobre a calçada uma luz tímida, oblíqua. Seus raios, depois de esgueirar-se por entre os prédios ainda envoltos pelas últimas sombras, incidiam sobre o chão apenas num determinado ponto. E o facho de luz, reticulado pelos grãos de poeira em suspensão, derramava-se sobre as pedras portuguesas com um toque quase sobrenatural – como um raio de anunciação.
Pois era bem ali – no trecho da calçada banhada por aquele sol – que ele, o anjo se encontrava.
Ana assustada desmaiou junto à calçada. Minutos depois acordou atordoada, pensou ter tido uma alucinação até olhar para frente e ver aqueles olhos azuis cintilantes encarando-a. Ela tentou se esquivar, mas ele andou em sua direção:
– Não tenha medo, só tenho uma mensagem para lhe dar. – disse o anjo.
Ana nada disse, apenas o olhou nos olhos.
– O amor chegou para você. – continuou o anjo.
Ana tentou segurar o riso, mas não se conteve, soltou uma gargalhada e falou:
– Só pode ser brincadeira! Um anjo aparece do nada para dizer que o amor chegou para mim? Fala sério! – e voltou a rir.
Mas enquanto ria, pensava: “ tudo bem que já faz algum tempo que não aparece ninguém, que não me apaixono e vivo sozinha, mas um anjo dizer que o amor chegou é impossível, não dá para acreditar.”
– Apenas confie em mim – falou o anjo.
E sumiu no meio de um forte brilho. Simplesmente desapareceu.
Ana não entendeu nada, mas ficou com a dúvida do acontecimento ter sido real. Depois desse dia, a cada esquina que passava cada homem que lhe olhava e sorria ela pensava com ironia, mas sempre querendo acreditar: “Será que é esse o amor que o anjo do céu trouxe para mim?”

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