Certa noite, quando acordou em meio a sua bagunça generalizada, procurou o seu maço de cigarros, mas o encontrou vazio. Bebeu o último gole de Vodka no próprio gargalo e saiu.
Ao passar pela portaria, deparou-se com Edilson, o porteiro, que lhe informou que Seu Pedro, o síndico, estava querendo falar com ele. Já sabendo de que se tratava, pediu que lhe desse como resposta dizendo que o pagaria assim que tivesse o dinheiro.
Eram dez horas quando saiu para a calçada, ali no centro do Rio de Janeiro, à noite parecia fria e escura. Pelas vagas ruas da cidade, havia apenas um grafiteiro pixando as portas em um tapume que fecha toda a entrada de um terreno baldio. Caminhou chutando uma garrafa de cerveja vazia que estava no chão. E em seguida arremessou-a sobre os tapumes e só ouviu o barulho dela estilhaçando.
Foi até a banca ali perto, comprou o que queria, bateu um papo com senhor e retornou rumo ao prédio pela mesma calçada do terreno baldio, os tapumes já haviam sido todos pixados e o grafiteiro não estava mais lá. Em meio à calmaria e ao silencio, observou que na calçada, em frente ao terreno, havia uma garrafa com um barquinho, que tinha a seguinte frase: “Homens fortes”, não ligando fez o mesmo jogou-a sobre os tapumes, mas dessa vez em algo inusitado aconteceu, a garrafa não havia quebrado.
Passou pelos tapumes e entrou no jardim de um luxuoso edifício; os tapumes haviam dado lugar a uma suntuosa grade. Avançou em direção ao edifício, uma moça alta, bem vestida e de boa aparência passando por sua secretária lhe recebeu na entrada do elevador. Com um ar de pressa, avisou-lhe que estava atrasado. Quando sua imagem refletiu no espelho, percebeu que sua roupa também havia mudado, agora era de fino acabamento.
Entraram em uma sala luxuosa e Simone, a secretária, foi atender ao telefone. Enquanto isso ele tentou se situar e passou a observar os detalhes mínimos daquele ambiente. É quando se depara sob a mesa de centro com a mesma garrafa com o barquinho.
A resposta de toda essa transformação estava ali naquela garrafa. Agora estava ele ali rico, um grande empresário e com um mistério por desvendar.
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